segunda-feira, 8 de março de 2010

Laços e Torpor

De tombo em tropeço sofrido e ensopado...

Assim cresceram seus adoráveis filhos, que furtos de um pecado capital, se agregaram a seu útero masculino desde a época das primaveras da vida. Feitos de pura agonia e intenso sofrimento, fazem-no o favor de escorrer-lhe por entre os braços e dedos até gotejarem lentamente sobre seus retratos vazios e inflados de uma senhora soberba a quem chamo de "Gana". Dona Gana tem ância de tomar para sí o próprio Filthy... mal ela sabe o erro faltal que está sempre prestes a cometer...
Alguém teria que cuidar de suas crias não acha (é com vc mesmo meu leitor)?! E assim, sentada em seu trono mecânico, devaga dilemas infernais e visita os quartos obscuros de Filthy em busca de seus rastros de cheiro cinzento, cor amarga, tristeza e lágrimas reclamadas e recolhidas do chão.

Rainhas não são feitas para isso... rainhas condenam... são seguidas... e ordenam com cetro de ouro e brilhantes... Somente nesse caso poderíamos dizer que ela é uma rainha caida. Vicio que a leva a loucuras como a citada a algumas palavras atrás! Vestida de um trapo retalhado de branco, preto e listrado... "à la mode" de bobo da corte... deve realmente ter sido inspirado por tal. Traz em sí o vazio que preenche o universo e que intercede em Filthy nos momentos de incerteza, impondo-lhe como seu vassalo favorito, meias verdades que ele gostaria muito de não precisar dizer...
Convicto, ele diz como se tomasse Gana e suas ânsias como mãe e mestra.
Reverte-se em mais memorias e culpas por laçar qualquer passaro que tente voar para longe de sí.

Em mim, sempre houve essa leve opinião e que não devo deixar de mencionar... mas que de nada vale porque ele mesmo nunca poderia se livrar de tanta Gana...
E lá vai... mesmo que meu susurro atravesse tais paredes imaginarias de meu ser, sinto que ele pode correr "risco de vida"... não importa... a palavra dita e ainda mais escrita me revoga a obrigação do bom comportamento. "Já se foi.. tudo se foi... o mentor e suas sombras as aves e o fundador de roma...".

Vou me virar pois a cena será forte...
Imagino que a altura esteja certa e que o vazio confuso de sentimentos o desnortearam por um momento... e tal momento é o nosso momento... Sinto pois, sua rainha encolher-se em loucura e devaneios alucinados... Preciso então eu me virar para segurar-lhe os pés?
Nada disso!... Filthy sabe bem o que faz mesmo que seja fazer-se o fim!

Minhas mãos cobrem a tela enquanto ele dedica-se ao seu ato final, ao seu Epilogo, que depois de tantas versões, acabaria por volta da 5ª ou 6ª.
Ainda que ele falasse ou recitasse seu poema preferido ou sua injuria mais fervorosa e cheia de razões, o silêncio atônito me transporta até seus pés, que pendurados à altura de meus olhos, não se cansam de encostar levemente em minhas mãos que cobrem o rosto, como quem pede uma atenção especial.

E quem poderá dizer que ele sobreviveu ao seu próprio Epilogo? Sim... se tú esperas que Filthy desça de seu novo trono... novamente ele não te dará ouvidos... sua arte é a falta que a própria vida lhe faz, e que alimenta seus filhos intocaveis e invisiveis ... são os susurros do vento lá fora!
Pendurado, provavelmente observa as coisas de um ângulo diferente e privilegiado, advindo dos entorpecidos e enlaçados males cemiteriais... cheio de vida morta ele suspira ... ainda respira a vida que lhe seria tirada se ele ao menos possuísse uma.

Pobre Filthy, de nada adianta caminhar e de nada adianta retroceder... "sentar-se" em uma posição excêntrica e admirar a paisagem congelada até que sua alma retorne ao corpo, seria o comportamento mais adequado ... e sinto orgulho por vc conseguir ser um "menino" tão bonzinho e poupar-me o trabalho criativo de fazer-te um nó ajustável!



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