terça-feira, 23 de março de 2010

Aquele sentido

Presença viva das lembranças...
De onde ele tira essa força enorme?
Das mãos? Do olhar? Da mente?
Não.... não existe... foi um golpe de sorte... uma covardia que lhe prendeu à dor da não vida...
Decepção? Não! Seus juízes o condenaram e o condenam... mas ele dança com as palavras para evitar o golpe fatal. Pensou em dizer meias verdades para incitar uma decisão mais firme... mas poderia ser tolice - pensou ele - tantas tolices já disse... usou de meias verdades como ferramentas para atrair "A decisão", e acabou por sofrer mais que deveria e afastar seu mentor para um plano diferente... Pobrezinho? Não! Não tenha pena dele... ele não terá de vc!

Por mais inteligente que ele pareça ser... seu horizonte acaba aonde a vida começa... e já faz tanto tempo que a expressão "ser espontâneo" virou um quadro empoeirado de sua casa vazia... O teatro para as paredes ... ensaiando para os juízes e para qualquer um que queira assistir, basta olhar pela janela e ele estará dançando e cantarolando com expressões tortas e emotivas.

Ainda andam por ai dizendo que ser sincero ajudaria os pobres juízes que, de senso de justiça, têm somente um emblema escrito em grego, que remete a algo similar a justiça. Mas ajudar? Que verbo mais distante vc leitor poderia arranjar para ele? Tentar ajudar fez com que de boas intenções o inferno se enchesse. E como sempre as coisas se revoltariam contra ele...
Baqueado leva consigo uma xícara contendo todo o sabor dos desprazeres amargos da vida e de um limão, fará limonada!

Por agora deixem-me só... voltem para seus aposentos até que o julgamento comece sua nova sessão... Preciso de vcs somente para testemunhar e verificar a veracidade e tenacidade dos meus argumentos.. Para que eu não me perca novamente nesse texto e que Filthy me surpreenda como jamais fez. Deixando-me viver por mais alguns segundos ... ou até que essas linhas se acabem vertiginosamente nos descampados horizontes de uma cena terrivel.

Com Amor: aos Juizes

segunda-feira, 8 de março de 2010

Laços e Torpor

De tombo em tropeço sofrido e ensopado...

Assim cresceram seus adoráveis filhos, que furtos de um pecado capital, se agregaram a seu útero masculino desde a época das primaveras da vida. Feitos de pura agonia e intenso sofrimento, fazem-no o favor de escorrer-lhe por entre os braços e dedos até gotejarem lentamente sobre seus retratos vazios e inflados de uma senhora soberba a quem chamo de "Gana". Dona Gana tem ância de tomar para sí o próprio Filthy... mal ela sabe o erro faltal que está sempre prestes a cometer...
Alguém teria que cuidar de suas crias não acha (é com vc mesmo meu leitor)?! E assim, sentada em seu trono mecânico, devaga dilemas infernais e visita os quartos obscuros de Filthy em busca de seus rastros de cheiro cinzento, cor amarga, tristeza e lágrimas reclamadas e recolhidas do chão.

Rainhas não são feitas para isso... rainhas condenam... são seguidas... e ordenam com cetro de ouro e brilhantes... Somente nesse caso poderíamos dizer que ela é uma rainha caida. Vicio que a leva a loucuras como a citada a algumas palavras atrás! Vestida de um trapo retalhado de branco, preto e listrado... "à la mode" de bobo da corte... deve realmente ter sido inspirado por tal. Traz em sí o vazio que preenche o universo e que intercede em Filthy nos momentos de incerteza, impondo-lhe como seu vassalo favorito, meias verdades que ele gostaria muito de não precisar dizer...
Convicto, ele diz como se tomasse Gana e suas ânsias como mãe e mestra.
Reverte-se em mais memorias e culpas por laçar qualquer passaro que tente voar para longe de sí.

Em mim, sempre houve essa leve opinião e que não devo deixar de mencionar... mas que de nada vale porque ele mesmo nunca poderia se livrar de tanta Gana...
E lá vai... mesmo que meu susurro atravesse tais paredes imaginarias de meu ser, sinto que ele pode correr "risco de vida"... não importa... a palavra dita e ainda mais escrita me revoga a obrigação do bom comportamento. "Já se foi.. tudo se foi... o mentor e suas sombras as aves e o fundador de roma...".

Vou me virar pois a cena será forte...
Imagino que a altura esteja certa e que o vazio confuso de sentimentos o desnortearam por um momento... e tal momento é o nosso momento... Sinto pois, sua rainha encolher-se em loucura e devaneios alucinados... Preciso então eu me virar para segurar-lhe os pés?
Nada disso!... Filthy sabe bem o que faz mesmo que seja fazer-se o fim!

Minhas mãos cobrem a tela enquanto ele dedica-se ao seu ato final, ao seu Epilogo, que depois de tantas versões, acabaria por volta da 5ª ou 6ª.
Ainda que ele falasse ou recitasse seu poema preferido ou sua injuria mais fervorosa e cheia de razões, o silêncio atônito me transporta até seus pés, que pendurados à altura de meus olhos, não se cansam de encostar levemente em minhas mãos que cobrem o rosto, como quem pede uma atenção especial.

E quem poderá dizer que ele sobreviveu ao seu próprio Epilogo? Sim... se tú esperas que Filthy desça de seu novo trono... novamente ele não te dará ouvidos... sua arte é a falta que a própria vida lhe faz, e que alimenta seus filhos intocaveis e invisiveis ... são os susurros do vento lá fora!
Pendurado, provavelmente observa as coisas de um ângulo diferente e privilegiado, advindo dos entorpecidos e enlaçados males cemiteriais... cheio de vida morta ele suspira ... ainda respira a vida que lhe seria tirada se ele ao menos possuísse uma.

Pobre Filthy, de nada adianta caminhar e de nada adianta retroceder... "sentar-se" em uma posição excêntrica e admirar a paisagem congelada até que sua alma retorne ao corpo, seria o comportamento mais adequado ... e sinto orgulho por vc conseguir ser um "menino" tão bonzinho e poupar-me o trabalho criativo de fazer-te um nó ajustável!



domingo, 7 de março de 2010

Prólogo, identidade e basta....

Atchííím...

Achei!

Sou alérgico a vc...saia o mais rápido possível!


Não há nada aqui ou nada que se possa esperar de alguém como eu ou vc... nada... e por isso estou aqui.
Nada vai mudar os fatos e mesmo assim, sendo tão simples, ainda sinto sua dificuldade em entender minhas palavras.... prometo tentar ser o mais claro possível.
Não me diga que és tão curioso e imaginativo ao ponto de se derramar em minhas entrelinhas, onde se quer poderíamos imaginar vc e eu escrevendo post após post sem mesmo nos olharmos nos olhos.
Se gosta do que escrevo, aconselho gratuitamente (e por isso deves se preocupar.. não costumo dar conselhos gratuitos ainda mais para estranhos) procurar um médico urgentemente... se não... és uma pessoa comum... nada contra, mas pessoas comuns são comuns ... assim como as coisas comuns da sua vida.... virar a esquina... abrir uma porta... ou até mesmo morrer de fome.
Ele fez o certo enquanto não lhe houve uma opção de fazer errado... ele sim, é dramaaaatico como só ele poderia ser... fez o seu melhor... mas não o certo... cansou do certo e das suas relatividades, que a proposito, são muito "maneiras".
Sou o Filthy (é, meu nome lê-se em inglês) ... que prepotencia dizer tais coisas mesmo que sejam corretas... simplesmente desanimador.
Nada mesmo a dizer sobre mim... não nessa posição ..."mim" ou "eu". Não há sentindo em descrever-se enquanto não se tornar seu proprio objeto ou sujeito terceirizado... sim... com salario, ferias, e tudo mais.
Talvez ele possa nos revelar seu mais novo invento... A Pagina! Ou residir em fatos passados como lhe é de costume ... e que infernal costume! Se pudessem observa-lo por alguns instantes, enquanto ele escreve pelas paredes seus nomes mais influentes, mas que já deveriam ter desaparecido de sua trancafiadora mente.
Voltemos A Pagina... "essa ou outra pagina invisivel e transparente" essa foi minha abstração de algo tão complexo que um dia insisti em debater com ele. Dizia ele "...escrevas o que quiseres e guardes como algo infame e desonesto, pois ferir uma pagina é crime de morte é um desvirtue, é uma vontade do imortal, uma atração pelos vivos mundos interpretativos e mergulhados em sua formosa brancura!" - Filthy.
Me diga pois vós que estás com as mãos a teclar e os olhos a correr... Qual pagina meu amigo(a) tem mais valor pra vc? Hahahahah!
Não há! São simplesmente esquecidas como seu proprio inventor as esquece logo após menciona-las em seus estudos "psico-academicos" ... não ligue para o que ele diz... seu corpo está cansado e sua mente já morreu a quase uma vida.
Imagine vc que ele nada tem a perder... já amou e viveu a vida de uma maneira eloquente e efemera... seus objetivos finais ja se tornaram realidade a muito tempo atrás, enquanto seus olhos se abriam e sua vontade de largar sua doce taça envenenada misturou-se com o vinho servido por seu enérgico mentor, que a propósito descança taurinamente em suas velhas amigas, a preguiça e o medo.
Não, ele nunca precisou de um mentor qualquer... mas o admitiu por uma ultima ingenuidade, ou ato falho... entenda como quiser e se puder... e ainda em sua incerteza, seus labios um dia ousaram entregar-se às mãos de seu mentor e de uma vez, para nunca mais voltar.
Como se diz: "tive o que mereci por desejar o amor!". Ele sempre sai balbuciando pelas esquinas claras ou escuras... ele tem o bafo envenenado e os olhos de um semi-deus, mas a cabeça... estraga todo o resto. Faço questão de ajuda-lo não importa a situação... e a final, eu ja gostei dele um dia... por mais carrancudo e depressivo.... sua maçã contém um doce conteudo que me faz pensar e entrosar-me em discussões profundas e problematicas de um eu infinito, e que seria banal descreve-las aqui. No mais é isso.... ele caminha nas sombras de dia e a noite sofre com as fases da lua, celebra as amizades em locais inusitados, arvores sagradas e quartos dançantes.
O blábláblá estressante e reclamão que sua essência insiste em dividir com todos, me dá nos nervos enquanto ele não está nem aí. Viaja pelas suas memorias... e pelas artes que costuma valorizar... e esquece... de quase tudo.

Estou cansado e por isso não vou mentir pra vc Filthy vossa lembrança me corroe e me liberta... me esconde e me transforma... gostaria então de encontrar-te naquele pomar e lá enterrar-te firmemente uma corda em vosso pescoço para que nada de mal te aconteça... e para que seu sofrimento dure alguns segundos finais... enquanto recitas aquele refrão infeliz..."estou porque quis... e no querer me encontrei... até o fim serei eu e meus sofrimentos que finalmente poderão voar pelos ventos, que em vida ainda desejei."